Porque se usa colagem no fabrico de colchões
A colagem permite construir um conjunto a partir de camadas com funções diferentes, mantendo cada uma no sítio durante a montagem, o transporte e o uso. A espuma de poliuretano flexível é um material poroso e macio, pelo que a cola tem de molhar a superfície, ganhar aderência inicial e manter-se flexível sem endurecer o conjunto.
A literatura técnica do sector da espuma trata a colagem de espuma flexível tanto sobre outras superfícies porosas, como espuma, tecido e cartão, como sobre superfícies não porosas, como plástico, metal e madeira. Ou seja, o mesmo tipo de cola pode ter de servir pares de materiais muito diferentes na mesma linha. [1]
Convém também distinguir colagem de laminação. A laminação é a união de camadas de espuma e/ou outros materiais num compósito simples, e pode fazer-se com cola ou com processos térmicos, como a laminação à chama. A escolha entre cola e processo térmico é a primeira decisão a tomar, antes de comparar produtos. [2]
O que definir antes de escolher a cola
Uma cola para espuma é composta por duas partes: os sólidos (composto de ligação mais agente de pegajosidade) e o veículo, que leva os sólidos até à superfície da espuma e depois evapora, permitindo que o composto de ligação cure. Perceber esta divisão ajuda a ler fichas técnicas e a comparar propostas. [1]
Os agentes de pegajosidade são os responsáveis pela aderência inicial e, em colas para espuma, são geralmente à base de colofónia. Existem muitas opções de compostos de ligação e de veículos, por isso o nome comercial diz pouco: o que interessa é o comportamento em processo. [1]
Para a escolha, a PFA enumera critérios como pegajosidade, tempo aberto, tempo de ligação, viscosidade, flexibilidade, compatibilidade química e temperatura de fusão. Traduza-os em requisitos concretos da sua linha: [1]
- Pares de materiais a colar: espuma com espuma, espuma com tecido, espuma com cartão ou outros.
- Tempo disponível entre aplicação e junção das camadas, definido pelo ritmo do posto de trabalho.
- Aplicação manual ou automática, o que condiciona a viscosidade e o método de aplicação.
- Sensação ao toque exigida na zona colada: a linha de cola não deve ser percetível ao utilizador.
- Condições de armazenamento, transporte e uso do colchão a que a colagem tem de resistir.
- Requisitos do cliente final ou do mercado sobre emissões e documentação, a pedir ao fornecedor por escrito.
Tecnologias possíveis e quando fazem sentido
As colas para espuma atuais são tipicamente de base aquosa ou usam solventes classificados como não perigosos. Algumas formulações, como os sistemas de fusão a quente, são constituídas apenas por sólidos e dispensam veículo. [3]
Na prática, a escolha costuma passar por duas famílias: as colas de base aquosa, em que a secagem do veículo faz parte do tempo de processo, e os adesivos termofusíveis, em que o controlo de temperatura e do tempo aberto é central. Para uma visão mais ampla das famílias existentes, consulte o guia sobre adesivos industriais.
Existem ainda técnicas de pós-tratamento para ligar espuma a um substrato ou a outra espuma: colagem à chama, colagem com filme termofusível, adesão por termofusível e laminação com pó. Esta última usa um adesivo em pó e um processo de calor. [2]
| Opção | Ponto a verificar na sua linha |
|---|---|
| Cola com veículo aquoso | Espaço e tempo para a evaporação do veículo antes ou depois da junção |
| Termofusível | Controlo da temperatura, do tempo aberto e do contacto com a espuma |
| Colagem ou laminação à chama | Equipamento disponível, tipo de espuma e controlo do processo térmico |
| Laminação com pó | Existência de processo de calor e dosagem do pó |
Constrangimentos típicos numa linha de colchões
- Ritmo de produção: se as camadas têm de ser juntas depressa, um tempo aberto curto ou um tempo de ligação longo cria filas de peças à espera.
- Variação de espuma: densidade, estrutura de células e acabamento da superfície alteram a forma como a cola é absorvida.
- Dimensão das peças: superfícies grandes dificultam a junção dentro do tempo aberto.
- Ambiente da fábrica: temperatura e humidade afetam a secagem do veículo ou o arrefecimento do termofusível.
- Fases seguintes: corte, costura, compressão e embalagem do colchão submetem a colagem a esforços diferentes dos do uso final.
- Mudanças de referência: trocar de espuma ou de tecido obriga a confirmar se a cola e os parâmetros se mantêm adequados.
Pergunte ao fornecedor que parâmetros de aplicação recomenda para cada par de materiais e que documentação técnica e de segurança fornece. Se está a comparar fornecedores, a página sobre fornecedor de adesivos para colchões indica que informação convém reunir.
Como organizar os ensaios
Comece por documentar o processo atual: materiais, método de aplicação, tempo entre aplicação e junção, e o defeito que quer evitar. Sem esta base não é possível saber se uma amostra melhora ou apenas muda o problema.
- Ensaie com os materiais reais de produção, do lote corrente, e não com amostras de laboratório.
- Varie um parâmetro de cada vez: quantidade de cola, tempo aberto ou pressão de junção.
- Teste no posto de trabalho, com os operadores que vão usar o produto, e à cadência normal.
- Avalie a colagem logo após a junção e depois de um período de repouso, e também depois das operações seguintes, como compressão e embalagem.
- Verifique o toque e o aspeto da zona colada, além da resistência à separação.
- Registe lote da cola, condições ambientais e resultados, para poder repetir ou comparar.
Defina antes dos ensaios o critério de aceitação com a qualidade e, se aplicável, com o cliente. Peça ao fornecedor que indique como deve ser feito o teste de colagem e que alterações de parâmetros são admissíveis.
Erros comuns
- Escolher a cola apenas pelo preço por quilo, sem considerar consumo, tempo de ciclo e rejeições.
- Ignorar o tempo aberto e o tempo de ligação, que são critérios de escolha para espuma e dependem do ritmo da linha.
- Validar com um só tipo de espuma e depois aplicar a outras referências.
- Não avaliar a compatibilidade química com os restantes materiais do colchão.
- Alterar vários parâmetros ao mesmo tempo durante o ensaio e perder a rastreabilidade.
- Comparar uma cola com veículo e um termofusível sem considerar o processo e o equipamento que cada um exige.
- Não pedir ao fornecedor a documentação necessária antes de arrancar com a produção.